Artigos do Embaixador para a imprensa
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Brasileiros residentes no Japão:
OS DOIS PAÍSES PRECISAM COOPERAR NA ÁREA DE EMPREGO E EDUCAÇÃO

Mainichi Shimbum
15 de fevereiro de 2009

Embaixador do Brasil no Japão
Luiz Augusto de Castro Neves

Os vôos do Japão para o Brasil continuam lotados desde o outono do ano passado. Não dispomos de dados precisos, mas supõe-se que não sejam poucos os brasileiros residentes neste país que desistiram da vida no Japão e retornaram à sua terra.

O grande fator seria a falta de perspectiva na vida, por terem sido demitidos das montadoras e fabricantes de equipamentos elétricos em decorrência da crise econômica. Se os nikkeis brasileiros, que atuam como ponte entre o Japão e o Brasil, estiverem saindo do Japão desapontados, seria um infortúnio para os dois países.

Nestas circunstâncias, o governo Taro Aso instalou o "Escritório de Promoção de Medidas para os Estrangeiros Residentes", e nomeou a Ministra de Estado Yuko Obuchi, encarregada da questão do declínio da taxa de natalidade, para a chefia. Talvez por tratar-se de um assunto de interesse do povo norte-americano, o jornal esatadunidense Washington Post publicou na primeira página a iniciativa do governo japonês de "apoio aos estrangeiros residentes".

Gostaria de saudar a postura do governo japonês, de reconhecer a realidade da existência de uma comunidade de estrangeiros residentes dentro do país, e de demonstrar a importância do assunto através da instalação de um novo órgão governamental. As atividades futuras do governo japonês serão alvos de grande atenção dos estrangeiros dentro e fora do país.

O Brasil, país de imigrantes com 180 milhões de habitantes, conta com uma população de 1,5 milhão de descendentes de japoneses. No ano passado celebramos o centenário do início da imigração japonesa para o Brasil, e realizaram-se cerca de 500 eventos comemorativos em ambos os países.

Os brasileiros muitas vezes comentam que os nikkeis "são garantidos". Significa que eles "são sérios e trabalhadores". Eles se integraram com êxito à sociedade brasileira e se tornaram um grande sustentáculo da sociedade. A sociedade brasileira tem orgulho dos nikkeis.

E hoje, cerca de 317 mil destes nikkeis brasileiros vivem no Japão. Apesar da sua intenção inicial de "dekassegui (trabalho sazonal em outra terra)", familiarizaram-se à sociedade japonesa, surgindo até alguns que adquiriram casas próprias financiadas. Ou seja, deu-se início à tendência de fixação no país.

Mas infelizmente, a atual crise econômica revelou, inesperadamente, o fato de que suas condições de trabalho eram extremamente instáveis. A falta de conhecimento da língua japonesa tornou-se uma grande barreira para a busca de um novo emprego. Devido à falta de um bom ambiente de educação, crianças que possuem futuro tornam-se alvos de sofrimento. Todas as escolas brasileiras no Japão enfrentam dificuldades de gestão, e encontram-se em situações críticas.

Para resolver estes problemas, faz-se imprescindível a ligação e cooperação entre os governos do Brasil e do Japão. O Governo brasileiro irá instalar em breve um novo consulado na cidade de Hamamatsu. E ainda, os dois governos estão em fase de discussão sobre um acordo de previdência social para resolver o problema da pensão, entre outros aspectos. A celebração do acordo de previdência social irá certamente beneficiar também os 90 mil japoneses que residem no Brasil.

Como os brasileiros residentes no Japão, que enfrentam dificuldades, irão viver daqui para frente? Permanecerão no Japão, ou irão optar pelo retorno ao seu país? Seria difícil prever a resposta no momento. Um dos fatores decisivos será o grau de recuperação da economia japonesa. A economia brasileira, que demonstra acentuado crescimento, também deverá influir no fluxo das pessoas.

Recentemente, tive a oportunidade de encontrar-me com a Sra. Sadako Ogata, Presidente da JICA (Agência de Cooperação Internacional do Japão), e soube que a Sra. Ogata possui profundo conhecimento sobre os problemas da comunidade brasileira neste país. Fiquei bastante encorajado ao ser informado de que a JICA estuda a possibilidade de fornecer-lhes medidas de apoio.

A atual crise econômica apresenta certos desafios aos brasileiros residentes no Japão e aos governos brasileiro e japonês. Os brasileiros residentes precisam fazer esforços de auto-ajuda para conviver com a comunidade japonesa, e os dois governos precisam de medidas sob perspectivas de longo prazo no tocante ao emprego, treinamento vocacional e educação destas pessoas. Requer-se uma parceria sólida entre os dois países neste sentido.




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