Geração de Energia
Energia Hidrelétrica
No Brasil, água e energia têm uma histórica interdependência.
A contribuição da energia hidráulica ao desenvolvimento
econômico do País tem sido expressiva, seja no atendimento
das diversas demandas da economia – atividades industriais, agrícolas,
comerciais e de serviços – ou da própria sociedade,
seja na melhoria do conforto das habitações e da qualidade
de vida das pessoas. Também desempenha papel importante na integração
e no desenvolvimento de regiões distantes dos grandes centros urbanos
e industriais.
A contribuição da energia hidráulica na matriz energética
nacional, segundo o Balanço Energético Nacional (2003),
é da ordem de 14%, participando com quase 83% de toda a energia
elétrica gerada no País. Apesar da tendência de aumento
de outras fontes, devido a restrições socioeconômicas
e ambientais de projetos hidrelétricos e aos avanços tecnológicos
no aproveitamento de fontes não-convencionais, tudo indica que
a energia hidráulica continuará sendo, por muitos anos,
a principal fonte geradora de energia elétrica do Brasil. Embora
os maiores potenciais remanescentes estejam localizados em regiões
com fortes restrições ambientais e distantes dos principais
centros consumidores, estima-se que, nos próximos anos, pelo menos
50% da necessidade de expansão da capacidade de geração
seja de origem hídrica.
O potencial hidrelétrico brasileiro situa-se ao redor de 260 GW.
Contudo apenas 68% desse potencial foi inventariado. Entre as bacias com
maior potencial destacam-se as do Rio Amazonas e do Rio Paraná.
Na Bacia do Amazonas, destaca-se a sub-bacia do Rio Xingu, com 12,7% do
potencial inventariado no País. Outras sub-bacias do Amazonas,
cujos potenciais estimados são consideráveis, são
a do Rio Tapajós 17, a do Rio Madeira15 e a do Rio Negro 14. Na
Bacia do Tocantins, destaca-se a sub-bacia do Rio Itacaiunas e outros,
com 6,1% do potencial brasileiro inventariado. A Bacia do São Francisco
representa 9,9% do potencial inventariado. Na Bacia do Paraná,
existem várias sub-bacias com grandes potenciais, entre elas a
do Paraná, Paranapanema e outros, com 8,1% do potencial hidrelétrico
inventariado no País.
Em nível nacional, cerca de 25,6% do potencial hidrelétrico
estimado já foi aproveitado. Em relação ao potencial
inventariado, essa proporção aumenta para 37,3%. Os baixos
índices de aproveitamento da Bacia do Amazonas são devidos
ao relevo predominante da região (planícies), à sua
grande diversidade biológica e à distância dos principais
centros consumidores de energia. Já na região centro-sul
do País, o desenvolvimento econômico muito mais acelerado
e o relevo predominante (planaltos) levaram a um maior aproveitamento
dos seus potenciais hidráulicos. Mas o processo de interiorização
do País e o próprio esgotamento dos melhores potenciais
das regiões Sul e Sudeste têm requerido um maior aproveitamento
hidráulico de regiões mais remotas e economicamente menos
desenvolvidas.
Apesar da participação crescente de outras fontes na geração
de energia elétrica, a hidroeletricidade continua sendo muito importante
na expansão do setor elétrico brasileiro. Somando-se a potência
nominal dos empreendimentos em construção e daqueles apenas
outorgados (construção não iniciada até setembro
de 2003), verifica-se que a energia hidráulica poderá adicionar
ao sistema elétrico nacional cerca de 13.213 MW, nos próximos
anos, dos quais 10.166 MW, com 46 novos empreendimentos de médio
e grande porte. Quanto aos 232 futuros empreendimentos de pequeno porte,
estes devem somar 3.046 MW.
A Energia nuclear no contexto brasileiro
No final dos anos 1960, o Governo Brasileiro decidiu ingressar na geração
termonuclear, visando a conhecer melhor essa tecnologia e a adquirir experiências
para um futuro supostamente promissor da opção nuclear,
a exemplo do que ocorria em vários outros países. Na época,
cogitava-se a necessidade de complementação térmica
para o suprimento de eletricidade no Rio de Janeiro. Decidiu-se, então,
que essa complementação ocorresse por meio da construção
de uma usina nuclear (Angra I), com capacidade nominal da ordem de 600
MW, na cidade de Angra dos Reis – RJ.
A construção de Angra I (657 MW) teve início em
1972. A primeira reação nuclear em cadeia ocorreu em março
de 1982 e a usina entrou em operação comercial em janeiro
de 1985. Mas, somente a partir de 1995 a usina passou a ter operação regular.
Em junho de 1975, foi assinado com a República Federal da Alemanha
o Acordo de Cooperação para o Uso Pacífico da Energia
Nuclear. Em julho do mesmo ano, foi feita a aquisição das
usinas de Angra II e Angra III, junto à empresa alemã Kraftwerk
Union A.G. – KWU, subsidiária da Siemens. A construção
de Angra II (1.309 MW) teve início em 1976 e em novembro de 2000,
depois de sucessivos estágios, a usina passou a funcionar com potência
de 1.365 MW médios.
Com cerca de 30% do território prospectado, o Brasil possui atualmente
a sexta maior reserva de urânio do mundo. Em 2006, o governo divulgou
decisão de construir a usina de Angra III, completando assim o
projeto daquela cidade do litoral do Estado do Rio de Janeiro.
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